Update de conteúdo da minha vida monitorada por deuses nerds:
Esse mês entrei na academia. Só nos dois primeiros passos em direção ao balcão já me senti compelido a voltar. Odeio do fundo do coração malhar. Mas enfim, o cerco já estava fechando havia muito. Um mês antes a velha vinha com a fala mansa, as comidas menos gordurosas e um perfil saudável demais pro meu gosto. Depois as compras. Aleguei não ter roupas pra malhar. Ela foi lá e comprou. Aleguei que gordo quando corre, geralmente roça uma coxa na outra até assar tudo ali. Daí no outro dia ela me apareceu com um treco, que com muita relutância usei: uma bermuda de ciclista colada. Numa boa, até gosto de ir bem equipado. Entendi o princípio da bermudinha bolada de ciclistas e praticantes de spinning (modalidade que “pratico”), mas daí sair da minha casa com aquilo é demais. Vesti no primeiro dia por baixo da bermuda e fui. Reloginho para marcar batimentos cardíacos, forro de assento, garrafa, e a super disposição que a gente só reúne no início da semana.
Não era novo naquilo. Antevia um infarto. Dois anos de sedentarismo seriam mais que suficientes pra dar merda. Cheguei mais cedo para escolher uma bike posicionada perto do ar condicionado. Há algo intrigante ali. É como sala de aula mesmo. Ninguém fala nada, mas todo mundo sabe que aquele é o lugar de fulano (a). Pensando nisso, escolhi um lugar neutro, sai da sala e me sentei em um banco observando meus pertences à distância. Então os deuses nerds disseram: “Agora?” e o outro respondeu: “Por que não? Olha a cara de cachorro cansado dele. Vamos dar esperança a pobre alma!”.
Lá estava eu, sentado esperando o pior. Se não fosse o coração, seriam meus colhões amassados naquele maldito banco de bicicleta. Então veio uma sombra, seguida daquele barulho displicente de gente que acha que está sentando no sofá de casa (“frep”):
— E ai? Primeira vez né?
— Nesse ano sim. Já fiz outras vezes.
— Queima bem né?
Confesso que minha total abobalhação às 6:55 da manhã. Mas disfarço bem. Não que a voz da mulher em questão diminuísse o volume. É só que as palavras demoravam um pouco mais para ganhar significado na minha mente – povoada com o que há de melhor nessa vida. Em outras palavras, no meio da velharada que vai de manhã, ela era uma baita de uma gostosa. Em determinado momento minha mente registrou dois trechos, resultantes da minha audição seletiva. A primeira foi: “blá blá blá, Pilates”. Quem seria o diabo do Pilates? Algum senador romano? De que período? Meu Deus! Essa mina ta falando de História comigo? Thank U God! Mas em seguida lembrei daqueles exercícios com bola e voltei para meus devaneios com a sexy girl em questão (com adição da bola é claro). A segunda foi mais um aviso de sobrevivência: “blá blá blá, queria que o meu MARIDO tivesse essa coragem que você tem”. Foi um daqueles momentos tensos em que a gente quase solta as respostas no automático como: “Prefiro a covardia e o bem estar que ele deve ter contigo”.
Enfim. Fui fazer a tal aula, e foram entrando as senhoras. Velha, velha, gordinha, gostosa, velha, velha. Gostosinha, velha e eu. Velho, gordinho e otimista. Eu não ia perder pra elas. Apesar das bikes não saírem do lugar, eu tinha plena consciência de que estava sendo observado. Até porque a sala é toda de espelhos. O que torna minha observação dos traseiros femininos extremamente difícil. Meus batimentos cardíacos iam lá em cima. Coisa assim de 180 em momentos de descanso, e 192 ao mínimo esforço. Terminei a aula com aquela sensação de dever cumprido. “Viram ai bitches, é assim que se faz!”. Então senti uma tontura e uma queda de pressão. Era hora de pinar o mais rápido possível. Se fosse desmaiar tinha que ser em casa. Entrei na net para fazer meu testamento online, quando percebi que meu humor havia reaparecido. Talvez eu sobrevivesse para a segunda aula.
Bem, na segunda aula melhorou um pouco. Não morri, ganhei fôlego, e observei os traseiros mais atentamente. Conversei com a tia do corpão prometendo a mim mesmo prestar mais atenção no que ela dizia, mas é muito difícil. Essa semana tive uma câimbra na coxa e tive que sair da aula mais cedo. Normal. Sempre da merda quando começo a malhar. Então 1 x 0 para elas. Sedentarismo é pior que velhice na minha singela opinião. É tanto, que tem umas tias que antes da aula vão correr na esteira. Me sinto um hamster gordo.
Por enquanto é isso. Depois me envolvo com esse lance de pegar peso. Ta na cara que em algum momento de dezembro eu não irei freqüentar por estar viajando. Então ralação hard apenas ano que vem.
Então: “Saúde é o que interessa, o resto não tem pressa! YEAH YEAH!” ¬¬







